Rose's profileO que se colhe , é o que...PhotosBlogListsMore Tools Help

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    12/19/2007

    NE ME QUITTE PAS


     

             

    Ne Me Quitte Pas - Não me deixes 

     

    Não me deixes
    é preciso esquecer
    tudo se pode esquecer
    o que já passou
    esquecer o tempo
    dos mal-entendidos
    e o tempo perdido
    saber como
    esquecer essas horas
    que às vezes matavam
    a golpes de porquês
    o coração da felicidade


    Não me deixes

    Não me deixes

    Não me deixes

    Não me deixes


    Eu te oferecerei
    pérolas de chuva
    vindas de países
    onde não mais chove
    revolverei a terra
    até após minha morte
    para cobrir teu corpo
    de ouro e de luz
    farei um lugar
    onde o amor será rei
    onde o amor será lei
    onde tu serás rainha

    Não me deixes

    Não me deixes

    Não me deixes

    Não me deixes


    I

    nventar-te-ei
    palavras insensatas
    que tu entenderás
    falar-te-ei
    daqueles amantes
    que viram duas vezes
    seus corações abrasar-se
    recontar-te-ei
    a história deste rei
    morto de não ter
    podido encontrar-te

     

    Não me deixes

    Não me deixes

    Não me deixes

    Não me deixes

     

    CORAGEM


     

     
    12/7/2007

    Felicidade clandestina


     

     
     
     
     
    Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar
    Deus, Ele não existe. in "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998
     
    kurt-halsey-30
     
    12/5/2007

    Dane

    ROSE 225

     

    "... Dane-se a capa, a foto, o encarte; dane-se o mundo, o raso, o profundo; dane-se nada, dane-se tudo quando você está aqui, dane-se o mundo quando você sorri ...